Eu amo contos. p1
Era uma vez, um falcão
Tão veloz quanto a luz
Tão forte quanto um furacão
e, tão pesado quanto uma montanha.
Esse falcão, quando pequeno fez sua morada em uma floresta, na companhia de uma pequena lagarta, frágil e lenta. Eram apenas a lagarta, o falcão, e algumas árvores. A lagarta não conseguia acompanhar o falcão, eles sempre estavam em ritmos diferentes. Mas, não havia nada a ser feito já que a todo lugar que rastejava lentamente, lá estava o falcão rápido e barulhento. Fazia perguntas incansavelmente.
Todos os dias da pequena lagarta eram sempre os mesmos com o falcão.
"Quando você irá crescer?"
"Onde estão os seus pais?"
"Porque você está sempre sozinha? Ninguém gosta de você?"
"Porque ninguém nunca se apaixonou por você?"
A lagarta pediu para que o falcão se calasse, mas não foi atendida. Nunca foi. E ela não contestava.
O tempo foi passando e a lagarta se acostumou com o falcão, ele era o mesmo de sempre mas aquilo não era mais uma surpresa.
Ela estava crescendo, ela escutava diariamente os dizeres do falcão e isso fazia dela uma lagarta ainda mais lenta do que o seu natural, mas era algo incontrolável, não havia o que fazer, afinal, ele era incomparavelmente maior do que ela.
Ela não tinha medo do falcão, pelo contrário, se sentia protegida por estar em casa e ter algo maior que a fazia evitar grandes riscos e grandes passos. Isso poderia ser a ruina de algo tão pequeno como ela.
Então ela tinha medo de não crescer, de nunca ter amigos, de nunca ser amada e de nunca poder voar assim como ele.
Ela acreditava nele e acreditava que mesmo que aquelas perguntas fossem como flechas que a machucasse, elas a manteriam em segurança de algo ainda pior.
Um dia, após o jantar, a lagarta decidiu fazer uma caminhada pela floresta onde morava para admirar o céu, ela adorava essas caminhadas. Enquanto fora andando, o falcão que até então estranhamente não aparecia, surgiu das sombras e exclamou:
"Depois de tanto tempo você ainda não conseguiu mudar?"
"E onde seus amigos estão?"
"Você nunca baterá asas!"
"Ninguém nunca vai amar você!"
Naquele instante ela parou de rastejar e sentiu uma coisa diferente. Ele não tinha perguntado, como todas as outras vezes. Dessa vez ele fez afirmações que fizeram com que a lagarta se sentisse cada vez mais fraca. Ela tentava e tentava voltar a rastejar, mas nem isso ela era mais capaz de fazer. Enquanto o falcão só olhava afastado todo seu estrago, sem ao menos um tanto de remórcio ou pena pelo que havia feito com a pobre lagarta.
Ela estava morta. Ou quase isso. Seu corpo estava ali, seus olhos estavam abertos mas ela não via nada, era só a escuridão, escuridão essa que tomou conta de seu mundo. Enquanto ela se via desamparada e sozinha naquele breu, ela escutou algo, mas aquilo não a aliviou, tivera medo que fosse novamente o falcão. Ela não sentia-se mais protegida. Ela não sentia mais nada.
O falcão então a perguntou:
"Você é muito fraca, porque nasceu assim?"
"Nascera deitada e continuará assim, até o fim de seus dias!"
O falcão se foi.
A pobre lagarta estagnou-se ali por dias, imóvel e sem forças, mal conseguia abrir seus olhos e nem fazia questão, tudo era um borrão. Pelo menos, o falcão a tinha deixado para trás, em silêncio, para que pudesse partir em paz.
-Mistchfly
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